segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Editorial Collecta - Estamos com a Choque Cultural


Pedimos licença do habitual bom humor do Collecta pra falar de uma coisa bem séria.

Poizé, como muita gente já sabe, a galeria Choque Cultural, assunto de diversos posts daqui do Collecta, foi invadida e depredada no sábado do dia 6 de setembro. Era o último dia da exposição "Pop revisitado".

Como a maioria já viu nas fotos tiradas pelos próprios invasores (que a gente não vai mostrar aqui simplesmente por não querer ligação alguma com o bando), tudo lá dentro foi pixado. Obras do Speto, John Simpson, Gerald Laing. As duas vendedoras da galeria, apavoradas pela invasão repentina e violenta de cerca de 30 pessoas, tiveram inclusive seus celulares roubados. O motivo alegado da invasão é o protesto contra a venda de trabalhos de street art em uma galeria.

Mas, na nossa opinião, o pior veio depois. Começaram a dizer, sem fundamento algum, que a invasão teria sido encomendada pelos próprios donos da galeria, com o objetivo de lucrar com a divulgação do fato.

Antes de continuar, vamos a uma breve história da Choque. A galeria é comandada por Mariana Pabst Martins, Baixo Ribeiro e Eduardo Saretta. Mariana é arquiteta e filha do mestre Aldemir Martins, de quem herdou o gosto pela arte. Baixo é estilista, especializado em skate, rock, graffiti e outros assuntos juvenis. Eduardo é historiador, incentivador da street art e leciona técnicas de impressão. Os três lutam faz tempo pelo reconhecimento da importância da arte urbana, levando-se em conta que mais da metade da população do planeta vive em grandes metrópoles.

Primeiro montaram a Editora Choque Cultural, com edições limitadas, numeradas e assinadas de posters, livros, stickers, brinquedos, etc. Depois, em 2003, veio a galeria, com as paredes sempre pintadas, os preços ao lado das obras em um ambiente diferente, próximo e acolhedor, sem a sizudez da maioria das galerias. E a Choque foi se revelando um centro importantíssimo de arte contemporânea em São Paulo, com cada vez mais repercussão. Com o tempo, tornou-se impossível fazer um passeio na Benedito Calixto (praça próxima à galeria, no bairro de Pinheiros) sem dar uma passada na Choque em seguida.

Como acontece pra qualquer um que abre um negócio próprio, o trampo e os gastos foram grandes. Os proprietários investiram na galeria por três anos, sem retorno financeiro imediato. Só passaram a "operar no azul" em 2007.

Agora me diga, amigo leitor do Collecta: quem em sã consciência encomendaria a depredação do próprio negócio, depois de tanto investimento? Nós sinceramente nunca acreditamos nisso. Ao trauma e a tristeza pós-invasão - como se não fossem suficientes - somaram-se essas acusações absurdas.

Segue agora uma nota de repúdio escrita pelos proprietários:

"No dia seis de Setembro a Galeria Choque Cultural foi invadida e depredada. Várias obras foram danificadas.

Os próprios autores divulgaram imagens da ação e se vangloriam da agressão em sites na internet. Houve uma convocação à violência, à propagação do ódio e à intolerância covarde. Esta autopromoção organizada é uma forma explícita de autoritarismo truculento disfarçado de protesto.

Nós repudiamos qualquer tipo de violência.

Mariana Pabst Martins, Baixo Ribeiro, Eduardo Saretta"


Saldos da invasão: restauração de algumas obras, troca de molduras de diversas outras, re-pintura do interior do imóvel todo. Ou seja, dá-lhe grana. Mas o que não dá pra "restaurar" tão fácil é o trauma que isso tudo causou na equipe toda de lá, proprietários e funcionários.

Agora, acima de tudo, a discussão é a seguinte: o artista de rua (eu disse o artista, não o fanfarrão) não pode ir pra galeria? Uma galeria de arte não pode representar, divulgar e vender, no país e no exterior, um trabalho de street art? O cara talentoso que pinta muros por aí afora tem que morrer pobre e não merece reconhecimento pelo trabalho?

O Collecta tá com a Choque Cultural. O Collecta tá com os artistas e com a arte contemporânea em geral. E o Collecta tá é bem longe de protestos boçais e violentos.

Rodrigo Disperati e Erika Tani Azuma

10 comentários:

pabloar disse...

Esses caras ai que fizeram o """protesto""" são mais nada que um bando de pobre de alma, pixador que não tem seu trabalho reconhecido como arte (ate porque rabiscos vandalos nao tem como ser arte nunca) e vai la detonar o trabalho dos irmãos de vida e profissao.

Portanto, um por um merece o pior que o mundo pode dar pra eles. Alias, eles ja tem isso. O que vai volta, vandalos de merda.

Diego Maldonado disse...

até que enfim um comentário inteligente sobre o assunto... pra mim este ato tem um nome curto... inveja.

Ronaldo Rodrigues de Oliveira disse...

Acho que seria como nas ruas mesmo:
" 'Pixador' que atropela 'pixo' de outro não merece respeito". Só por que a arte de rua está em uma moldura não quer dizer que não seja mais arte de rua e vice-versa.
Agora vandalismo e desrespeitar o trabalho dos outros isso não tem nada de arte, tem sim pura falta de consideração. E digo mais, pura inveja!

Grunge disse...

Finalmente um comentário lúcido, pq se Collecta ficasse do lado desses vagabundos, ai acabaria a credibilidade.

A motivação do ataque foi pura inveja. Um bando de escrotos egocentricos que pixam o proprio nome, nunca vão ser reconhecidos por nada além do que realmente são: Vagabundos sem talento.

Quem viu as fotos sabe: foi um bando de ácefalos que nem sabem o é que protesto que pixaram. Nos coments do povo que pixou, tinha um mesmo falando isso. Foi pq queria pixar sem nem saber o motivo.

Só pra deixar claro. Pixo não é arte. Pixo não é street-art. É coisa de vagabundo que tem mais tesão por subir nos lugares perigosos do que por pintar.

Podem chamar de writers, de lettering.. pra mim não passa de sujeira. Nunca será arte essa merda mal-feita.

Enquantos lixos urbanos iguais a voces fazem essas merdas caras como Titi Freak tão na gringa expondo em galerias.

Muita força pro pessoal da Choque cultural. Reconheçem e valorizam a verdadeira street art.

Grunge disse...

Há quem tenha a preocupação com as letras, o protesto e a estética no pixo.

Mas quem viu as fotos viu q é um bando de vagabundo que fizeram sujeira.

LOCHE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LOCHE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LOCHE disse...

Se eu pixasse pensaria assim:
A galeria é de arte urbana, porque eu pixador também não posso expor? É claro, Sem considerar aquela velha discussão entre pixo ser ou não arte.

O acontecido me lembrou muito, daquela vez, alguns anos atrás, na Belas Artes, aquela galera que no ultimo ano, foi expulsa por "depredar" a faculdade com pixações.
E se bons grafiteiros, tivessem innvadido a choque, e feito o mesmo?
Seria reconhecido ou criticado?

Um abraço Loyd
ou Loche

Victor disse...

O que realmente me incomoda nessa história toda são esses publicitários e wanna-be's que acham que tudo é "marketing de guerrilha", tudo é "viral" e assim por diante..

Pablo disse...

Nao tem nada a ser dito!
Concordo com o Collecta em genero numero e grau, e acho facil invadir um espaço comercial, sendo que nao ha seguranças, e sim apenas 2 funcionarias! Porque eles nao pixaram a ponte da paulista que por uma epoca teve seus grafites substituidos por obras de arte, simples porque se eles tivessem pixado la, todos estariam em maos bocados!
E uma duvida que me deixa inquieto é o fato de nenhum desse FILHOS DA PUTA foram punidos!
E ai que nos damos conta do pais em que vivemos e a prioridade dos governantes!
E como diria Che "Ai de endurecer pero sem perder lá ternura" e o bom senso foi deixado de lado!