segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Bauhaus - a história, a referência















Tava mais do que na hora de falar, aqui no Collecta, desta que foi a maior influência no design mundial como um todo - a Bauhaus. Sim, hoje estamos deliciosamente acadêmicos.

Em 1915, o socialista Walter Gropius foi nomeado diretor da escola Kunstgewerbeschule em Weimar, Alemanha. Só que a escola fechou antes que ele pudesse assumir seu novo posto. Já com uns planos na cabeça, Gropius manteve contatos com outra escola, a Hochschule für Bildende Kunst. Em janeiro de 1916, formulou o que chamou de "propostas para o estabelecimento de uma instituição educacional para providenciar serviços de consultoria à indústria, comércio e ofícios".

Mandou suas propostas para o governo, recomendando que as duas escolas de Weimar (a Kunstgewerbeschule e a Hochschule für Bildende Kunst) se fundissem em uma só escola interdisciplinar de design e ofícios. Em abril de 1919, Gropius era nomeado diretor da nova Staatliches Bauhaus.

















Marcel Breuer - Cadeira Modelo No. B3 Wassily - Bauhaus Dessau, 1925-1927


A Bauhaus (significa "casa em construção") procurava renovar a teoria da educação, trazendo unidade às artes. O currículo era assim: primeiro havia um curso preliminar de um ano, onde os estudantes aprendiam os princípios básicos do design e a teoria da cor. Concluído este primeiro ano, os alunos iam para as várias oficinas situadas em dois edifícios e aprendiam pelo menos uma arte. Estas oficinas eram auto-suficientes, com clientes privados. Os professores eram conhecidos como "mestres" (alguns eram membros de associações locais) e os alunos, "aprendizes".














Marcel Breuer - Cadeira Lattenstuhl, feita na oficina de mobiliário em Weimar, 1922-1924

Os "mestres" pregavam que arte e técnica deviam combinar-se na pintura, escultura, arquitetura e desenho industrial. Os alunos criavam objetos de uso diário, como talheres, luminárias, cadeiras - que não apresentavam adornos em excesso que dificultassem a criação em série.

Foram mestres da Bauhaus: Johannes Itten, Lyonel Feininger, Gerhard Marcks, Georg Muche, Paul Klee, Oskar Schlemmer e Wassily Kandinsky. Mas, no período inicial da Bauhaus, foi Ittem quem desenvolveu o papel mais importante. Ele acreditava que os materiais deviam ser estudados para se descobrir todas as suas qualidades, e encorajava seus alunos a produzir coisas diferentes a partir de objetos "normais", do dia-a-dia. Acreditava que as leis da natureza existiam para a composição espacial, assim como acontecia com a composição musical, e os alunos eram ensinados a ver a importância de formas geométricas como o círculo, o quadrado e o cone. Assim como Kandinsky, Itten tentava reintroduzir o espiritual na arte.

Só que Itten (e também Georg Muche) estavam envolvidíssimos na seita Mazdaznan e tentavam introduzir os seus ensinamentos na Bauhaus. Fizeram com que os alunos raspassem as cabeças, usassem roupas largas (hábitos), seguissem uma dieta vegetariana com grandes quantidades de alho purificante (isso quando não estivessem jejuando), tomassem banhos quentes e praticassem acupuntura. Claro que Walter Gropius não gostou disso - sua autoridade ficou abalada, assim como sua relação com Johannes Itten. E este último saiu da Bauhaus em 1923, marcando o fim do período Expressionista na escola.



















Ainda em 1923, à pedido (na verdade, sob pressão) das autoridades de Weimar (também pressionadas pelas associações locais, que temiam a concorrência das oficinas da Bauhaus), foi feita uma exposição que justificasse a continuação do apoio do Estado. O cartaz marcava a estréia de uma nova identidade da Bauhaus, com um tipografia e grafismo moderno, inspirados no construtivismo russo. Mas, apesar das críticas internacionais muito positivas, as coisas pro lado de Gropius não foram aliviadas. Quando Weimar se tornou a primeira cidade alemã a eleger o Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores, o subsídio estatal passou para metade e, em 1925, a Bauhaus foi forçada a se mudar para Dessau, pois à essa altura era vista como um antro de comunismo e subversão.



















Em Dessau, os sociais-democratas e o presidente da câmara liberal eram muito mais receptivos ao sucesso da escola, oferecendo-lhe o apoio financeiro necessário - com a condição de que a escola se auto-sustentasse parcialmente através da produção e venda de seus trabalhos. Esse dinheiro foi suficiente para a construção de um novo edifício, feito de estrutura pré-fabricada em concreto e vidro (altamente racional) além de casas de design geométrico para os mestres - que agora eram chamados de professores.

Os designs da Bauhaus passaram a ser pensados para produção industrial - desiludido com o socialismo, Gropius acreditava que o tipo de capitalismo industrial instituído por Henry Ford poderia beneficiar os trabalhadores e que a sobrevivência da Bauhaus dependia dessa aproximação maior com o design industrial. Em novembro de 1925, Gropius criou a Bauhaus GmbH, empresa que promovia e vendia os produtos feitos pelo pessoal da escola. Mas não obteve o sucesso esperado.

Para poder dedicar mais tempo ao design, Gropius tentou passar a direção da escola para Ludwig Mies van der Rohe, que recusou. O arquiteto suíço Hannes Meyer acabou ocupando o cargo. Acrescentou aulas de economia, psicologia, sociologia, biologia e marxismo ao currículo, fechou a oficina de teatro e reorganizou as outras oficinas. A antiga condição artística da escola desapareceu, tornando-se mais científica mesmo. E politizada, pois as oficinas eram usadas como foco de atividades políticas de um grupo de estudantes marxistas - fazendo com que a escola voltasse a sofrer pressões do governo da cidade onde estava situada. Como resultado de uma investigação a Gropius e Kandinsky, as autoridades de Dessau despediram Meyer ao descobrirem que ele desviara fundos para mineiros grevistas.

Mies van der Rohe agora aceitava assumir a direção da Bauhaus. Fechou a escola, substituiu os estatutos vigentes, reabriu-a e forçou os alunos a reentrar. Criou-se um novo currículo, em que o curso preliminar deixava de ser obrigatório. Agora a Bauhaus transformava-se em uma escola de arquitetura, tamanha era a importancia dada a seu estudo. Mas os problemas políticos já estavam intrínsecos à história da escola, e os socialistas de Hitler chegavam agora a Dessau...

Em outubro de 1931 os nacionais-socialistas, que sempre fizeram pressão para fechar a Bauhaus, chegaram ao poder em Dessau e, em 22 de agosto de 1932, apresentaram uma moção para fechar a escola. A Bauhaus foi reaberta por Mies em Berlim, como escola privada, mas os nacionais-socialistas também chegaram por lá. Em 19 de julho de 1933, os mestres votaram a dissolução da Bauhaus. Era o fim da mais importante instituição de design da história.

As marcas, a influência e o impacto da Bauhaus são notados até hoje em objetos de uso cotidiano, em construções. E, essencialmente, na forma como o design é ensinado.


fontes - Design Handbook - Conceitos, materiais, estilos (Charlotte & Peter Fiell - Taschen) e Bauhaus Archiv (Magdalena Droste - Taschen)

Post feito ao som de New Order - CD "Waiting For The Siren´s Call" e coisas velhas e deliciosas como "Blue Monday" e "Bizarre Love Triangle".

2 comentários:

Erika Tani disse...

Esse é meu Bauhaus-boy! rs...Bravo!!!

Victor Augusto disse...

Curti o post, estou fazendo um trabalho sobre a Bauhaus e o conteudo foi passado de uma forma bem facil de ser entendida.

Falow