sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Incognito – ou como o Acid Jazz me pegou de jeito













No início da década de 90 (lá pra 92, 93) um movimento musical atingiu grande sucesso pelo mundo, logo chegando aos ouvidos dos brasileiros. Era o Acid Jazz. Passou a ser comum ouvirmos no rádio, na MTV e nos desfiles de moda aquela fusão bacana do Jazz com o Funk e o Soul. Estouraram, nessa época, o US3 com sua "Cantaloop" (quer dizer, deles e do Herbie Hancock), o Jamiroquai com "When You´re Gonna Learn", Brand New Heavies com "Never Stop", Guru (e seu projeto Jazzmatazz) com "No Time to Play"... e o Incognito com "Always There".

Meus ouvidos começaram a se abrir para o Acid Jazz lá pra 1995, quando descobri, no dial do meu saudoso primeiro carro (um belíssimo Gol prata 92), a Pool FM. Ouvindo a Pool, passei a ouvir coisas como "Dream On Dreamer" do Brand New Heavies, "Cantaloop", "Connected" do Stereo MC´s. Até que uma elegante introdução de piano, seguida de um soul-jazz dos brabos, me pegou. Era "I Hear Your Name", do Incognito. Foi aí que comecei a correr atrás, pra valer, de Acid Jazz.

Apresentando: Incognito é uma banda britânica - ou melhor, uma família, um projeto, uma mega-banda. Digo isso porque toda a coisa muda muito, novos músicos, novos(as) vocalistas. A única coisa que não muda é Jean Paul "Bluey" Maunick (nascido nas Ilhas Maurício), compositor, produtor, guitarrista - e núcleo da banda. O grande companheiro de Bluey no projeto era Paul "Tubs" Williams, falecido no início desse ano.

O primeiro álbum foi "Jazz Funk", de 1981. O segundo veio somente 10 anos depois. "Inside Life" (1991) trazia "Always There" na voz de Jocelyn Brown, que foi o primeiro grande sucesso, atingindo sexto lugar na parada inglesa.

Várias e vários vocalistas passaram pela banda, como Tony Morelle, Jocelyn Brown, Carleen Anderson, Pamela Anderson (é outra, é outra), Imaani, Kelli Sae, Ed Motta (sim, ele mesmo). Mas a grande diva do Incognito é, sem sombra de dúvida, a Maysa Leak.



















Maysa entrou no esquema em 1991, como convidada. E foi integrante fixa até 1994, quando saiu para cuidar de sua carreira solo. Mas ela sempre volta, da mesma forma que Bluey também já participou, como produtor, de seus álbuns solo.

Em 1993 veio o "Positivity", que vendeu 350.000 cópias nos EUA. Nesta época Bluey começava a curtir o sucesso como produtor, trabalhando com gente como George Benson e Chaka Khan.

O Incognito está, atualmente, no 12º álbum de estúdio. Veja agora uma discografia comentada:



- Jazz Funk (1981): O primeirão. Aqui está "Parisienne Girl".




- Inside Life (1991): Um dos estopins do movimento Acid Jazz dos 90 - é aqui que Jocelyn Brown canta "Always There", clássico deles, e Chyna canta "Crazy for You".

- Tribes, Vibes and Scribes (1992): Maysa e o cover de "Don´t You Worry ´Bout a Thing" (de Stevie Wonder) - que, perdoe-me ó grande mestre do soul, ficou bem melhor que o original. "Colibri", um dos instrumentais mais bacanas do Incognito, tá aqui também.

- Positivity (1993): A primeira delícia do Incognito. Álbum redondinho, tudo bate, tudo é gostoso de ouvir. A bela "Still a Friend Of Mine" é daqui. É Maysa "time and time, and time again"...


- 100º and Rising (1995): A segunda delícia. Mas sem Maysa. "I Hear Your Name", o som que me apresentou à banda. "Everyday", pronta pras pistas. "Barumba", com influências da música brasileira.

- Remixed (1996): O primeiro só de remixes - e uma inédita, "Jump to My Love". David Morales faz sua versão de "Always There". E Masters At Work acaba com a originalmente deliciosa "Everyday".


- Beneath The Surface (1997): Não é o melhor, mas o mais elegante álbum da banda de Jean Paul. Maysa está de volta em um vocal classudo na faixa-título. Destaco também "Hold On To Me" e "Living Against The River".


- Blue Moods (1997): Lançado somente no Japão, é uma coletânea dos sons instrumentais, como "Colibri" e "L'Arc En Ciel De Miles".


- No Time Like The Future (1999): O Incognito flerta um pouco mais com a eletrônica aqui. Não é um grande álbum, mas a destruidora "Nights Over Egypt", com Jocelyn Brown e Maysa Leak juntas, vale o disco todo.



- Future Remixed (2000): Outro álbum de remixes.





- The Best (2000): Coletânea (meio mal formatada, na minha opinião).


- Life, Stranger Than Fiction (2001): O derradeiro lançado pelo selo Talking Loud. Bluey não passava por bons momentos pessoais, e isso pode ter se refletido no Incognito. Esse álbum não combina com a discografia, apesar da boa "Stay Mine". Sem Maysa.


- Who Needs Love (2002): Ed Motta canta a faixa-título. É a banda voltando ao que era. Sem Maysa.



- Adventures in Black Sunshine (2004): A terceira delícia. Maysa volta (de novo), num álbum animado. Destaques são "Everything Your Heart Desires", "Don't Turn My Love Away" e "Close My Eyes".


- Eleven (2005): Como o nome diz, o 11º álbum de estúdio. Dos bons. É nesse que a gente ouve "Come Away With Me", um dos melhores sons da carreira da banda. Na voz, claro, de Maysa Leak.


- Bees + Things + Flowers (2006): O mais recente. Em parte, feito de regravações de sons do próprio Incognito, em versões muito, muito light. Em outra parte, regravações de clássicos da soul music - e é aí que está o grande lance do álbum. "Tin Man" recupera o frescor da versão original. E "That's The Way Of The World" ficou lindíssima com Maysa, apesar de não superar a versão Earth, Wind and Fire.

CORREÇÃO: A vocalista de "Crazy for You" (Inside Life - 1991) chama-se Chyna - não é a Maysa Leak. O texto já foi corrigido - afinal quem mandou a correção foi o "Jazzmaster" Sérgio Scarpelli, e eu nunca duvido do que esse cara fala em relação a música. Valeu Sérgio!!

fonte - soulwalking e a minha cuca mesmo
fotos -
incognito.org.uk

5 comentários:

Erika Tani disse...

Isso não é um post! É uma declaração de amor!!! Mandou muito bem!

jazzmasters disse...

Parabéns amigo...isso é um glossário do Incognito. Eles são demais mesmo e vc não exagerou nem um pouco.

Belo blog

Sérgio Scarpelli

jazzmasters disse...

Só uma correção...

A vocalista de "Crazy for you" chama-se Chyna

Abração

Sérgio Scarpelli

MPSal disse...

Realmente, isso é uma declaração de amor! Mas fiquei triste por vc não mencionar a música que + gosto do grupo, do álbum No time like the future: MARRAKECH! PElamordeDeus, que música linda é essa!Por culpa dela, estou aprendendo francês, só pra ir conhecer essa cidade! Outra pérola, a 1a música que me fez viciar nesse grupo foi Still a friend of mine, tenho que tirar o chapéu, Maysa é Maysa e não se discute! Abs!

DJLATTARI disse...

Nao sei o que dizer diante deste blog...
Sou dj, eestou montando um trabalho de acid focado na sonoridade do incognito, banda que me foi apresentada a uns 10 anos mais ou menos, e por acaso pesquisava sobre David Morales outro idolo meu quando sem querer vi uma foto do Jean Paul, epa...
Fiquei de cara com seu texto e quando quiser explicar em palavras o que e incognito vou indicar seu blog.
Bom saber que existem outros loucos como eu...
abraco