domingo, 26 de agosto de 2007

Kandinsky, obra da razão e da emoção



“ Eu andava em busca de determinada hora, que era e é a mais bela do dia em Moscou...Por um instante, o sol faz com que toda a cidade fique misturada em um única mancha.”

Sua compreensão sobre a arte foi além dos parâmetros de sua época. Assim, podemos definir o pai da pintura abstrata*, Wassily Kandinsky, como um dos nomes mais importantes da arte moderna.

Nascido em 1866, de um família da alta burguesia russa (Moscou), Kandinsky encontrou definitivamente toda a inspiração na cidade de Munique, na Alemanha. Na época, o artista optou pela cidade alemã em vez de Paris, por causa da atmosfera de contos de fadas das ruelas e dos telhados antigos – que o remetiam a sua infância – e também por ser uma das capitais da vanguarda artística. Munique vivia o momento máximo de esplendor do modernismo.

Um dos pontos que levaram o artista a chegar ao abstracionismo, foi uma série de telas de montes de feno do impressionista Claude Monet. Kandinsky percebeu que o poder da cor bastava para atingir seu efeito, independente do objeto em questão, mesmo não definido totalmente em sua mente, esta foi a chave que marcaria sua carreira: a abstração da representação.



Obra-prima
Considerado uma de suas obras-primas, Sobre o branco II (Musée National d´Art Moderne, Centre George Pompidou, Paris), foi pintada entre maio e setembro de 1923. Era seu primeiro ano como professor da Bauhaus de Weimar, onde desde setembro de 1922, ministrava aulas de Teoria da Forma.

Durante todo o processo de encontrar sua verdeira arte, Kandinsky foi professor na lengendária escola Bauhaus, fundada em 1919, pelo arquiteto Walter Gropius. Lá, ele começou a trabalhar, ministrando um curso teórico e prático de pintura.
Cores e formas
Graças a um questionário dividido entre os integrantes da Bauhaus, Kandinsky determinou as seguintes relações entre as três formas e cores básicas: triângulo-amarelo, quadrado-vermelho e círculo-azul. Sua exploração da percepção das cores e das formas aproximaram-se dos estudos psicológicos da teoria Gestalt.

Em consequência de sua atividade docente e da prática como pintor, publicou o ensaio "Ponto e linha sobre plano", sobre o exercício da pintura abstrata - elaborado com seu colega e amigo Paul Klee - uma teoria semelhante à usada pelos músicos para compor. Kandinsky percebeu que, por trás de sua pintura, estava o que realmente lhe interessava, já que a forma sempre teve importância secundária. Em suas obras buscava o equilíbrio instável entre elementos opostos, por isso os títulos de seus trabalhos na época da Bauhaus eram formados por pares de palavras opostas, como "Calor-frio" e "Pesado-leve".


Esta tela é um exemplo de como Kandinsky conciliou rigor analítico da Bauhaus e seu impulso espiritualista.
Alguns círculos (1926) Guggenheim Museum (NY)

Composição VIII (1923)

Óleo sobre tela - Guggenheim Museum (NY)

Devido à instabilidade política (a Alemanha nazista de Adolf Hitler tomava o poder, e um de seus primeiros atos foi a acabar com as atividades da Bauhaus), Kandinsky precisou se mudar para Berlim. Mesmo assim, sob forte clima de racismo e xenofobia, o artista e sua esposa resolvem se mudar para a França.



Em Paris, fez grandes amizades com os principais expoentes da arte de vanguarda da época – entre eles Joan Miró e Piet Mondrian (terão um post em breve). Foi uma época de grande inspiração e produção. Kandinsky faleceu em 1944, em Paris.

Cada quadro do artista é um universo único, pintura em estado puro, mistura de estilos, capaz de nos transmitir uma espiritualidade inquieta e solitária, mas controlada.

Kandinsky deixou um vasta obra, e a prova de que sempre podemos enxergar além do que nossos olhos permitem.

“Os que duvidam do futuro da arte abstrata fundamentam seu juízo sobre um estágio evolutivo comparável ao dos anfíbios; estes não representam o resultado final da criação, apenas seu começo.” - W. Kandinsky (1866 - 1944)


Kandinsky em sua casa-ateliê, em Paris (1939), diante de Curva Dominante (1936), uma das obras mais representativas de sua inovadora fase parisiense.


Curva Dominante (1936)
Musée National d´Art Moderne, Centre George Pompidou, Paris


Fonte e imagens: Coleção Folha de São Paulo - Grandes Mestres da Pintura - volume 18
(uma coleção indispensável para quem curte arte)

* A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.- fonte: História da Arte

Este post foi embalado ao som de Jamie Cullum (álbum Catching Tales), Brand New Heavies (álbum Shelter) e miados constantes dos gatos.

7 comentários:

Rodrigo Disperati disse...

Duca, Kinha. Muito bacana.

Anônimo disse...

lindooooooooooooooooooooooooo

PedromodaCruz disse...

Muito bom,gostei muito de vcs, abraços.

Erika Tani Azuma disse...

Valeu Pedro!

Abs!!!

Cintia disse...

' Hiii
estoôu akiieê pra falaar que adoreei todas as obras de Kandinsky i tbm pora falar prôo pessoa mii add no orkut aii
tampinha5@yahoo.com.br
esperoo vcs amigoos ....

Beeijoos

~*

Alana Lemos disse...

Queria saber mais sobre a obra Moscow I .... (1914)

Jorge Ramiro disse...

É incrível, eu sei que um pintor que segue a linha do cubismo, mas ele aplica seus projetos com uma fusão de estética Amazônia brasileira, ele veio para comprar ração Hills o meu petshop.